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28 de julho de 2024

A dieta mediterrânica evita o aparecimento de doenças cardiovasculares

Segundo os resultados do maior ensaio clínico da investigação espanhola e um dos principais de nutrição do mundo, a dieta mediterrânica, suplementada com azeite de oliva extra virgem ou frutos secos, evita o aparecimento de doenças cardiovasculares, em comparação com uma dieta baixa em gordura.

Na opinião do catedrático da Universidade, Miguel Ángel Martínez, coordenador da rede de investigadores que participaram no estudo PREDIMED, "trata-se de resgatar o estilo de vida dos nossos pais e avós e fugir das novas modas importadas de outros países que estamos a constatar que não são tão saudáveis como as nossas".

As chaves desta dieta são:

1.- A variedade de produtos vegetais, incluindo frutas e verduras, legumes, hortaliças; e o seu consumo elevado em sobreposição aos alimentos de origem animal,
2.- O consumo diário de pão e de alimentos procedentes dos cereais (massa, arroz, etc.), assim como seus derivados integrais, com um bom conteúdo de fibra.
3.- Utilização do azeite de oliva extra virgem como gordura de adição principal.
4.- A fruta fresca como sobremesa habitual.
5.- O consumo de peixe em maior quantidade e de ovos com moderação, de 2 a 4 por semana.
6.- Consumo em quantidades moderadas ou baixas de frango
7.- Consumo moderado de carnes vermelhas e produtos derivados da carne.
8.- Consumo de frutos secos, ao menos 3 vezes por semana
9.- Consumo diário de produtos lácteos, preferencialmente pobres em gordura como o iogurte e os queijos.
10.- A água como a bebida preferencial (4 a 8 copos por dia). Consumo moderado de álcool, principalmente em forma de vinho tinto às refeições.

É um facto conhecido que as doenças cardiovasculares e o cancro constituem as duas primeiras causas de morte no mundo. Assim sendo, é óbvio afirmar que a nutrição é um dos pilares fundamentais no que se deve apoiar toda a campanha de prevenção.

Trata-se de uma alimentação variada, sem exceder as necessidades diárias de cada individuo, em função da sua idade, sexo, estrutura e actividade física.

Recomenda-se o consumo de carboidratos em quantidade de até 300-400 g/dia, sobre todo na forma de legumes, verduras e frutas. É preciso evitar a gordura animal, á excepção da que provem de peixes marinhos e pequenas contribuições de produtos lácteos, com consumo preferencial de azeite de oliva em quantidade diária que oscile de 70 a 80 gramas. Os lacticínios, peixes e carnes magras devem ser a fonte da ingestão das proteínas. Há que prestar atenção às calorias com origem no álcool, já que 1 grama proporciona 7 quilocalorias. A ingestão de fibra não deve exceder 25-30 g/dia. O consumo de sal deve ser de 3-5 g/dia e o colesterol não deve passar as 300 mg/dia.

A técnica culinária é muito simples, a confecção de verduras ao vapor vai conservar muito melhor os minerais e as vitaminas.

Azeite de oliva

Existe uma relação directa entre os níveis de colesterol no sangue e a incidência de infarto do miocárdio e entre a quantidade de gorduras saturadas e os níveis de colesterol.
O azeite de oliva virgem tem 80% de ácido oleico (monoinsaturado) e só 14% de ácidos gordos saturados. Foi demonstrado que os ácidos gordos monoinsaturados fazem aumentar a proporção entre o colesterol HDL e o LDL. Também se descobriu que o colesterol HDL tem um grande efeito protector face á acumulação de placas de ateroma nas paredes das artérias.

Os azeites de sementes (soja, girassol, etc.) têm grandes quantidades de ácidos gordos poliinsaturados e poucos monoinsaturados e ainda fazem baixar o colesterol total, não aumentam a proporção de colesterol HDL face ao LDL.

O azeite de oliva é mais resistente á oxidação quando aquecido, isto implica que podemos ferver sem medo os alimentos, sem que o azeite perca as suas propriedades.

O azeite de oliva tem a nível digestivo propriedades que modificam a evacuação gástrica e não está implicado, como os poliinsaturados, na formação de cálculos na vesícula biliar.

Peixe

O consumo diário de 300gs de peixe, com alto conteúdo em ácidos gordos poliinsaturados da série ω-3 diminui a síntese de colesterol LDL e dos triglicéridos circulantes, diminui a agregação das plaquetas, tem uma acção vasodilatadora e anti-inflamatória presente na gordura do peixe e aporta níveis adequados de vitaminas A,E,C.

Frutas, legumes, verduras, massas e cereais integrais

Estes carboidratos, massas e cereais integrais, têm um índice glicémico muito baixo. É aconselhável que a glucose se vá libertando aos poucos na corrente sanguínea para conseguir uma adequada absorção pelas células e evitar assim a formação de gorduras.

Os alimentos mais recomendáveis pelo seu índice glicémico baixo são os legumes, hortaliças, massa italiana e frutas, todos eles consumidos abundantemente na dieta mediterrânica.

A dieta mediterrânica além de combinar o mais adequado, desde o ponto de vista da composição dos alimentos, dispõe de uma técnica culinária que é essencial. O uso das especiarias e dos métodos de preparação mais adequados realça o sabor e as propriedades dos alimentos, o que favorece tanto a sua degustação como a sua digestão.

30 de julho de 2013

Os micróbios do parto natural previnem algumas doenças alérgicas

Cientistas constataram que as pessoas que nascem por cesariana têm maiores probabilidades de ser sensíveis ao pó e aos animais de estimação.

“Mamã, de onde vêm as alergias?”

Esta foi a pergunta que chamou a minha atenção, feita por um menino de uma mesa perto da minha. A sua mãe, obviamente uma perita em lidar com as curiosidades apresentadas por um menino pequeno, disse: “Das flores, ervas e dos alimentos como os amendoins”.
O menino continuou a comer, aparentemente satisfeito com a resposta. Mas eu não estava.

Os cientistas sabem o que ocasiona as alergias. Quando as partículas de pólen, os pelos dos animais domésticos ou certos tipos de alimentos entram no nosso organismo, chama-se-lhes antígenos. Segundo a Academia para as Alergias, Asma e Imunologia dos Estados Unidos, se o seu organismo for sensível a essa partícula, confunde-a com um invasor malino. A partícula torna-se então no que chamamos um alérgeno, (ainda que ser sensível á substancia não signifique que se desenvolva uma alergia).

Os alérgenos fazem com que o seu corpo produza imunoglobulina E (IgE), isto é, anticorpos. Os anticorpos E destroem os invasores perigosos. Desafortunadamente, os anticorpos também libertam histaminas e outras substâncias químicas que podem desencadear uma reacção alérgica.

Mas, o que faz com que uma pessoa seja sensível a estes antígenos aleatórios que pairam no ar, enquanto que outras pessoas levam a vida toda com os olhos secos e os seios nasais limpos?

Os cientistas não têm a certeza, mas têm algumas ideias.

A médica Christine Cole Johnson estudou as alergias desde os princípios da década de 1980. A sua equipa de investigadores do Hospital Henry Ford foi a primeira a demonstrar que ter um animal de estimação em casa durante o primeiro ano de vida do seu filho pode prevenir o desenvolvimento de alergias, descoberta que se confirmou também noutros estudos.

As suas investigações mais recentes indicam que o desenvolvimento das alergias começa antes disso.
Johnson analisou os dados de um grupo de mais de 1,200 de recém-nascidos em Michigan entre 2003 e 2007; os investigadores avaliaram-nos quando tinham um mês, seis meses, um ano e dois anos de idade.

Descobriram que os bebés nascidos por cesariana têm seis vezes mais probabilidades de serem sensíveis aos ácaros do pó que os bebés que nasceram de forma natural. A investigadora também encontrou resultados similares na exposição a alérgenos como os pelos de gato e de cão.

Os bebés que nasceram por cesariana têm um microbioma diferente no seu trato gastrointestinal, disse Johnson. Um microbioma é a palavra que os cientistas usam para descrever as colónias de bactérias que vivem nos humanos, seja na boca, na pele ou no sistema digestivo.

“É bastante surpreendente. Nos seres humanos, as células bacterianas superam em número as células humanas numa proporção de 10 para 1”, disse Johnson. “Essas bactérias são importantes, não poderíamos existir sem elas”.

No ventre materno, os bebés são estéreis, explicou Johnson. Quando passam pelo canal de parto, expõem-se á população de bactérias dos microbiomas vaginais e gastrointestinais da sua mãe. Através desta exposição, os seus próprios sistemas imunitários aprendem a diferenciar entre as bactérias boas e más, quais combater e quais usar.

Os bebés que nascem por cesariana têm bactérias intestinais que se assemelham mais ao microbioma cutâneo da sua mãe, disse Johnson. Tarde ou cedo as suas bactérias digestivas normalizam-se, mas esse atraso pode permitir que a exposição aos alérgenos se converta em sensibilidade.
Claro que essa é só uma possível causa das alergias, ou uma causa possível entre muitas outras.

O colega de Johnson, Haejin Kim, alergologista em Henry Ford, está a investigar o papel que joga a genética.
Num estudo mais recente de Kim descobriu-se que as crianças afroamericanas são três vezes mais sensíveis á comida que as crianças caucasianas. Também se determinou que uma criança afroamericana de um pai alérgico tem o dobro das probabilidades de ser sensível a um alérgeno ambiental que uma criança afroamericana cujos pais não sejam alérgicos.

Kim disse que os seus resultados não mudavam consoante o sexo ou a ordem de nascimento da criança.
“Isto indica que (as alergias) podiam ser genéticas”, disse Kim, algo que os cientistas sempre suspeitaram.

No entanto, não se trata de uma doença genética 100% herdada. “Não existe um gene para as alergias ou a asma. Provavelmente trata-se de uma combinação de vários genes que de alguma forma interactuam com o ambiente”.

Jonathan Silverberg, dermatólogo do Centro Médico St. Luke-Roosevelt em Nova York, analisou recentemente os dados de mais de 91,000 crianças para determinar se as crianças nascidas fora dos Estados Unidos teriam as mesmas probabilidades de desenvolver alergias que as crianças nascidas nos Estados Unidos.
Descobriu que as crianças nascidas fora dos EUA, mas residentes nos EUA, tinham a metade do risco de desenvolver alergias comparativamente com as crianças nascidas nos Estados Unidos. Este dado correspondia a todas as classes de alergias, incluindo as alimentícias, ainda que a asma tenha tido maior prevalência.

Silverberg e os seus colegas iniciaram o estudo logo que se deram conta que as crianças, suas pacientes, nascidas no estrangeiro desenvolviam alergias numa idade mais avançada. Descobriram que as crianças nascidas no estrangeiro que tinham vivido durante mais de 10 anos nos Estados Unidos apresentavam maior incidência de alergias que as crianças que só tinham estado um par de anos no país.

Os cientistas sabem que a exposição ambiental é um factor importante nas doenças alérgicas; não se pode desenvolver sensibilidade a algo ao qual nunca se foi exposto. No entanto, anteriormente os investigadores haviam-se concentrado nos alérgenos do ar como o pólen e não noutras exposições ambientais, disse Silverberg. Esses outros factores podiam estar relacionados com as infecções específicas referentes ao clima, á dieta ou á localização geográfica da criança.

“O que este estudo demonstra é que há algo ao que nos expomos nos Estados Unidos que não existe noutros países e, ao que parece, ocasiona que as pessoas desenvolvam ou manifestem uma doença alérgica”, disse.

Até agora não se sabe qual é o factor que joga o papel dominante, se é que existe.

Silverberg disse que é difícil tirar conclusões práticas desta classe de estudos. No entanto, com o tempo descobriremos de onde provêem as alergias, o que nos podia ajudar a descobrir uma forma de preveni-las ou ao menos de trata-las mais eficazmente.

Então, quem sofrer de alergias poderá cheirar as flores, rebolar na relva e comer amendoins como os demais.


Fonte - Por Jacque Wilson - CNN México
Traduzido por: divulga-se